14 setembro, 2010

Na verdade 2 meses e exatos 5 dias


Faz muito, muito tempo que não escrevo aqui ou em qualquer outro lugar, mas eu sempre volto, como aquele que sempre volta à casa. Sempre.

Não sei bem descrever como está sendo esse período de minha vida, pois sinto-o um pouco suspenso, pendente de algo, uma sensação de porvenir, que por vezes me deixa nervosa. Estou numa cadeira de cinema como expectadora de minha própria vida.

Já começo a confundir o português com o espanhol, a pensar em espanhol, e isso porque ainda não comecei com o catalão. Às vezes acho que minha cabeça dará um nó e os neurônios entrarão em curto-linguístico. Mas eu tenho me esforçado.

Depois do longo mês de agosto, em que tudo permanecia fechado e as pessoas só pensavam em ir à praia (é, aqui essa época do ano me lembrou bastante Salvador, e por alguns momentos me esquecia de que estava a quilômetros de um bom acarajé), as engrenagens de setebro já movimentam os dias, e assim também os meus, por fim!

Há muitas semelhanças com Buenos Aires, mas BCN é muito maior do que qualquer outra cidade em que estive (tudo bem, eu não conheci São Paulo), e às vezes, quando estou caminhando ou tomando o metrô, tenho a impressão de que serei engolida a qualquer momento.

O metrô. Esse espaço curioso em que milhões de pessoas dirigem-se à zilhões de lugares ao mesmo tempo. Para mim é uma janela indiscreta dessa cidade que tenho aprendido a viver. Gosto das oportunidades que tenho de ver como se comportam as pessoas, e as olho de maneira curiosa, buscando pistas nas roupas, no cabelo, no que estão lendo. Acho que descubro mais BCN no metrô do que em qualquer outro lugar.

Ontem quando estava indo ao trabalho, como sempre faço, levei um livro para ler durante a curta viagem (eu sempre carrego um comigo, nunca se sabe o quanto se vai esperar nessa vida, assim que é bom estar previnido), fui arrancada de minha forte concentração pela conversa de dois estrangreiros (não sei exatamente de onde eram, mas pareciam o que os espanhóis chamam de moros, pessoas oriundas do Marrocos). Eu não entendia absolutamente nada do que diziam, mas eles falavam tão alto que eu não tive muita escolha. Fiquei imaginando o que estava falando um para o outro. E me lembrei do dia em que me sentei em frente a duas chinesas, e foi a mesma situação.

Eu realmente fico espantada com a quantidade de imigrantes que Barcelona comporta. Não sei se isso é bom ou ruim, mas sei que os espanhóis não gostam. Não gostam mesmo. Ontem uma brasileira que conheci na incrição do curso de catalão (esse idioma é outro parênteses) me disse uma coisa que eu sempre me lembrarei: “você pode viver aqui o tempo que for, décadas, talvez, mas será sempre uma imigrande e será tratada como tal”. Então, eu pensei na maneira em como o Brasil recebe os estrangeiros e meus olhos encheram-se de lágrimas. Lágrimas de saudade.

E a cada dia que passa, vou descobrindo mais dessa babilônia que é BCN e domando a saudade, que insiste em querer sair pela boca a cada segundo.


11 junho, 2010

O que será de mim?

Esvaziar-se e enxer-se. Eis o sopro da vida.

Às vezes esqueço–me de algumas preocupações que foram varridas para debaixo do tapete. Deixo-as ali, nutrindo-se de um esquecimento cômodo e covarde. Então, num belo dia de hoje, elas voltam a assombrar, como quem desperta de uma morte mal resolvida, exigindo providências no primeiro respiro.
Eu queria ter um livro de soluções, como quem tem uma arma secreta: um livro de receitas para um jantar inesperado.
Talvez. Porque mesmo com a receita, o bolo sola. Mas seria só uma seta amarela flamante, piscando os olhos para mim, paquerando o meu destino.
Então hoje, de debaixo do tapete uma escapuliu, aprisionando-me outra vez nas algemas de meus medos.

Eu já não posso voltar.

Nesse presente, meus pulmões estão comprimidos e o ar me vem em gotas.

03 junho, 2010

Por você



Por tantas vezes eu esqueci que aquele jeito de gritar e esbravejar, nada mais era que preocupação líquida e concentrada. Cada vez que a tinha destemperada e colérica, esquecia-me de lembrar-me que aquilo não era bem aquilo, mas um isso de medo, talvez.
Tantas e tantas vezes fui injustiçada, mas quantas vezes também não fui injusta? Como hoje.
Eu deveria amarrar um cordãozinho vermelho no dedo para jamais voltar a esquecer de que você é a pessoa que mais me ama nesse mundo.
Não há como descrever que sentimento nos compõe, mas eu a amo de uma maneira tão visceral e não suporto a idéia de ferí-la, pois as cicatrizes também ficam em mim.
Hoje eu gritei desajeitada.

Eu sei que vou te amar


Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

(Vinícius de Moraes e Tom Jobim)

29 maio, 2010

Colheita


Quando ele diz que as coisas vão ficar bem, eu sempre acredito, pois há nele algo de tão transparente que é impossível haver outro caminho. Ele guarda consigo um amor verdadeiro e todos os dias sai a regar o meu jardim.
Com essa água derramada, brotam a esperança de dias melhores, a calma para os pensamentos intranquilos, assim como a fé renovada na vida. Não que tudo dependa dele, mas Dele, eu bem sei disso.
Não será fácil, talvez, mas a vida nunca me veio escorrendo. Sempre me veio em pedras. Então, para quê o medo? Ele só turva a vista, mina os bons sentimentos, seca a água regada.
Já chegamos tão longe, ultrapassamos tantos campos, corremos “juntos”, choramos “juntos”, sorrimos “juntos”. Mas esse “junto”, nunca foi mesmo junto. Agora sim, tiraremos as aspas.

13 maio, 2010

Engrenagem


Hoje eu fui testada, levada ao meu limite. Não foi exatamente uma resistência física, mas digamos que um casamento: fisiopsíquico. Poderia ter sido um dia normal, mas não! Mais uma vez tive que comparecer com os benditos papéis ao consulado espanhol. Das outras vezes (muitas outras vezes), mesmo saíndo com raiva, revoltada, sentida, logo aquele momento se esfumava e eu voltava a um estado mais tranquilo. Mas hoje... Hoje foi diferente. Eu cheguei às 09h para entregar os últimos documentos e pegar uma mísera assinatura e um carimbo. Mal sabia o que estava por vir. Expliquei a situação. A atendente disse que geralmente entregavam os documentos em dois dias úteis, mas se eu quisesse esperar, ela me daria assim que fosse possível.

Como eu realmente tinha pressa e precisava daqueles documentos hoje, resolvi esperar. Os dias têm sido cruéis em seu passar, e por isso, não posso perder mais nenhum deles sem um resultado condreto.

09h... 10h... 11h... 12h... 13h... 14h... Nada mais que 5 horas sentada nequele lugar, vendo cada pessoa entrar e sair, muitas solucionando seu problemas e muitas não. Lá dentro, os funcionários tomavam café, água, falavam ao telefone, riam, conversavam.

Houve um momento em que achei que fosse desmaiar de fome, de sede, de vontade de ir ao banheiro. Mas eu não podia descepcioná-lo. Não a ele! Eu precisava daqueles documentos.

Coloquei minha cabeça entre minhas mãos e o inevitável aconteceu: um pranto torrencial. Saí para que não escutassem o meu soluço, a minha dor, a minha revolta, pois eu não conseguia conter as lágrimas, foi mais forte do que eu. Eu não sabia o que era mais humilhante, se esconder as lágrimas ou ter que sorrir para ter os papéis. É assim que funciona quando precisamos, não é? Esse é o exercício do poder. Sua cadeia. E eu estava nela.

Passei a chorar não mais pelo medo de perder o prazo, mas por perceber como o ser humano é mesquinho, como precisamos de tão pouco para ajudar alguém. Daquela assinatura dependiam tantas coisas! Não só a minha vida, mas a dele também! Eles não sabiam, e talvez se soubessem, nem se importassem, porque estamos tão centrados em nós mesmos que esquecemos de olhar para o lado e estender a mão.

Será que é assim também quando alguém depende de mim? – pensei. Será que eu dou o meu melhor? Eu sei que muitas vezes não... e é por isso que fica essa corrente no mundo e tudo é tão mais difícil do que deveria ser.

É realmente triste saber que tantas vidas são acorrentadas pela burocracia diária, pela falta de comprometimento, pelo humor oscilante de um funcionário. E isso é algo tão comum nas repartições!

Eu tentei controlar as lágrimas, mas foi impossível. Eu estava vomitando toda a minha revolta com aquele lugar, com aquela situação deplorável, mas mesmo assim, foi um pranto contido, consciente, porque apesar de tudo, era eu quem precisava e precisava ser forte.

Quando já não havia mais ninguém no consulado e ficou meio ridícula aquela situação, alguém me olhou.

Eu saí dali com os pepéis em minhas mãos. Até agora não sei como consegui, mas eu consegui.

26 abril, 2010

Sacolejo


Foi num dia bem qualquer que ela me perguntou como uma seta: “Amor muda?”. Primeiro fiquei surpresa com a intensidade da pergunta para tão pouca idade. Depois, levemente desconsertada pela pouca intimidade. Mas arrisquei. “Se nós mudamos a cada dia, a cada ano, a cada ciclo, creio que o amor deve mudar também”. Ela me estudou com seus olhos vivos. “Você já teve um amor que mudou não de tamanho, mas de forma?”. Aquilo estava ficando mais íntimo do que eu esperava.

“Sim”, respondi pensativa. Eu mesma nunca tinha me feito tais perguntas. Às vezes não pensamos em certas coisas pelo simples hábito de não pensar. Acomodamos todas elas no sofá e ligamos a TV.

As borboletas no estôbago algum dia param de bater suas asas. Lembrei-me de um livro que havia lido há pouco tempo. Uma das personagens, dessas bem a la Jane Austen, dizia que gostava de cuidar de sua casa e de seu marido. Que era feliz e se sentia protegida, o que mais podia querer?

Será que no fundo o que queremos é isso? Mesmo depois de tanta liberdade adquirita, novos ângulos e parâmetros, novos discursos?

Amar assim me pareceu mais um hábito.

Mas no final das contas o que queremos não é a tranquilidade de um amor? Não é isso o que realmente buscamos? Ele precisa passar pela resistência do tempo, soprado pela paciência, regado alimentado e fortificado para se tornar flexível e forte como o bambu.

A paixão, então, me pareceu fraca.

Ela continuou a tagarelar, mas eu já nem escutava. Já me havia perdido na bagunça que ela havia provocado.

Tive que retirar alguns pensamentos para lavar.

25 abril, 2010

Baseado em fatos irreais


Foi a nossa primeira e última dança, pelos meus cálculos. Algumas palavras ditas, nenhuma em tom de promessa. Nem deveria, éramos estranhos, corredor novo que se cruza abrindo passagem para lembranças.
Assim que me disse de si sem dizer muito de mim. Relatos de vida, alinhavando trabalho e antigos amores. Eu era toda ouvidos, derretendo-me diante de seus olhos de felino, mas a selvagem ali era eu.
Então fez aquele movimento de colocar o boné para trás de propósito. Não identifiquei se éramos somente desejo. Lacuna.

Dançamos. Jantamos.

Preferia arroz, feijão e fritas, e eu a servir strogonoff.
Vem aqui que eu quero sentir seus lábios com calda de pudim.

Dançamos novamente. Dessa vez mais livres. Preferi a primeira dança, confesso.

Jantar com gosto de começo e fim. Nunca tivemos o meio.

22 abril, 2010

Margem

Como ela conseguia? Aquilo me intrigava de uma forma a não me deixar acreditar nem pensar em nada mais.
Era ao outro que enganava ou a si mesma? Que sede era essa de viver que acabava com tudo de um só gole? Ceifava as perguntas que não cessavam.
Senti-me pequena, quebradiça, precária perante tais descobertas. Era uma atividade que ultrapassava o ético, o moral, o convencional. Derivava-se de uma coragem selvagem, percebia pelo cheiro, bicho que era.
Notei que o que me incomodava era o jeito como ela fazia parecer correto, o avesso. Não havia aprendido nada sobre descência?
Vivia sem pudores. A sua existência era visceral. Se alimentava do momento, dos instantes em que a vida parecia escorrer-lhe pelos dedos. Nessas ocasiões é que desvelava-se, deixava-se ver em sua totalidade de fera.
Naquele dia em que a encarei, senti uma curiosidade quase infantil em saber como havia nascido tamanha besta. Não que fosse ruim, mas havia um quê de nocivo naquela sinceridade toda que aflorava. Talvez fosse verdade demais para uma vida acimentada em portões. Ela era tada janelas.
Por alguns instates, sem mesmo ter a noção do que representava, quis ser como ela, quis aquela liberdade que deixava derramar. Aquele desbunde de vida. Sem receios, sem travas, sem fivelas.
Senti meu corpo vivo e passei a inquirir-me. A vontade era de sair correndo, cavalgando sem norte, deixando-me levar sem nenhum paradeiro, apenas para longe daquele ser que me fazia sentir uma fraude.

Pisquei.

Burlei a mim mesma, pensei. Não era a ninguém que traía, mas a mim mesma. Foi diante do espelho que me admiti. Eu era um dolo. Serpenteava entre minhas próprias trapaças e fazia delas meu alimento diário. Corroendo-me pelas lembranças que assombravam minhas entranhas a cada instante em que acreditava-me exata, pisquei.

Ela desapareceu.

Aquilo era rio profundo.

19 abril, 2010

A Descoberta

Não foi em nenhum dia especial, em nenhuma hora mais adequada que ela pensou, atônita, como quem chega em um beco sem saída. Refletiu sem dar-se conta de tamanha descoberta.

“A felicidade dele é chegar em casa, contar a ela como foi o seu dia, tomar um banho e jantar, delicadamente elogiando o que lhe foi preparado. Depois, assistir televisão para pegar no sono, e na cama, encontrar seus pés aquecidos”.

Isso era felicidade para ele. Tão pouco exigia da vida!
Tentou entender tamanha simplicidade, mas não conseguiu. Ela era dessas que queria. Uma busca infinda, sem estradas sinalizadas, apenas seguia.
Aquilo a incomodou profundamente. Aquela descoberta. Como lhe podia vir assim, tão sem precedentes? Era coisa de pensar menos.
Foi assim que ela inteirou-se de tamanha desmedida felicidade. Para quê mais? Lembrou-se de um poeminha que falava de casamento. Ah, a Adélia sabia das coisas!
E com aquela descoberta formigando no peito, foi preparar mais um jantar. Era noite de felicidade.

18 abril, 2010

"[...]Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.[...]"

Mia Couto

17 abril, 2010

Eu preciso dizer que te amo...


Hoje pela manhã, entretida com os meus afazeres domésticos de final de semana, já tinha decido que ia ao cinema à tarde, quando pensei: “Poxa, eu podia chamar minha mãe...”. Acho que a última vez que fui ao cinema com ela foi para ver algum filme dos Trapalhões. Não faço idéia de quantos anos faz isso, mas sei que são muitos. E hoje eu consegui!

Estava saindo de casa e liguei:

Ela: Você não morre mais! Já ia te ligar. Quer ir ao cinema comigo?

O mundo então parou de repente...

Eu: Eu estava te ligando justamente para isso!

Só eu sei a vitória que isso representa!

05 de Junho de 2003

Eterno Viver (Meus devaneios em sala de aula)

Procurei não me importar, não sentir, não ser, não agir.
Não consegui.
Não me habituei a negar, a mentir, a não sorrir.
Busquei superar, ultrapassar, transceder.
Ninguém me ensinou a buscar, a correr, a gostar.
Mas eu falei, eu gritei, eu ouvi.
Como não esquecer, parar, voltar?
Eu segui, eu amei, eu chorei.
Não reclamei, não odiei, não sucumbi.
Alguém me disse como flutuar, como suspirar, como me habituar.
Algumas vezes eu escorreguei, levantei e me adiantei.
Fiquei sozinha, vazia, gelada.
Mas algo surgiu e aqueceu, derreteu, formou.
Em mares distantes eu naveguei, me afoguei, me salvei.
Olhando as estrelas eu aprendi a ler, a dormir, a sonhar.
E sonhando eu cresci, eu lutei, eu consegui.
E para viver eu fugi, eu roubei, eu menti... e me entristeci.
As lágrimas vieram, perfuraram, feriram.
Mas regaram a sabedoria, a alegria, a esperança de tempos vindouros.
E o meu jardim cresceu, floresceu, se renovou.
Serena ficou a minha alma.
Coloridos ficaram os meus olhos expostos ao Sol.
Mas um dia a névoa surgiu, sugou, quase matou.
E eu parti.
Eu me perdi em mim.
Vaguei, me envenenei, dormi.
Porém certo dia despertei, sorri e aprendi.
E tudo voltou, se renovou, se transformou.
Então prossegui amando, brincando, pulando.
Eu construí, plantei, colhi.
E assim formaram-se os dias, esculpiram-se as nuvens, surgiram os castelos.
Na estrada eu tropecei, me desequilibrei, identifiquei, parei, me entediei.
Resolvi novamente prosseguir, equilibrando-me entre o ser e o não-ser, entre o estar e o não-estar, entre o branco e o negro, entre o céu e o mar. E assim fui devorando a vida em meu eterno caminhar.

Postado originalmente às 7:53 PM de uma quinta-feira

Comentários:

Mingo, não entendi o seu comentário (risos). Sério mesmo! Que bom que você gostou, acho que estou voltando à velha forma! Você também deveria escrever..., faz bem para a alma! Lú, a dona da casa 05-06-2003 19:38:42

Minguinho vc tá ficando boa nisso, vc tem futuro garota! Adorei essa, pelo menos terminou bem né? Vc sabe do que estou falando, risos... Ana 05-06-2003 18:22:55

16 abril, 2010

Back up

Encontrei por acaso alguns textos do primeiro Caminho da Lua. Fiquei realmente surpresa em reler alguns deles. Tudo começou há 7 anos... Vou republicar alguns aqui para o meu deleite e para me redescobrir. Época da faculdade, 20 anos de idade... O tempo realmente passa.

Da mudança


Tenho sentido os dias serem atropelados ultimamente. Isso me faz ouvir, assustada, as cavalgadas da mudança em minha direção. Ando por aí desfrutando ao máximo dos pequenos prazeres que minha vida simples, e mais desafogada esse ano, tem me proporcionado.
Às vezes estou em determinado local e penso “quando voltarei a ver isso novamente?” ou “quando sentirei esse cheiro outra vez?”.
Mas é assim mesmo. Tenho percebido que a vida grita por mudanças, e essas sempre estão em nossos caminhos porque é da vida mesmo a transformação. São as Moiras tecendo, medindo e cortando o fio da vida.
Muitas vezes me pego chorosa, sem acreditar muito que um ciclo de minha vida está prestes a encerrer-se. Então, como muitas que sou, uma guerra fria se instala entre mim e outas.

Dias de exclamação, dias de interrogação... E lá vem mais um ponto parágrafo em minha história.

12 abril, 2010

O que habita em mim


Como é que sabemos se queremos a coisa certa? Ou se essa coisa realmente significa algo?
Às vezes eu quero o mundo por capricho. Quero porque quero e ponto. Então, eu me distraio um momento com a minha conquista e logo volto a batalhar por outras, a desbravar o mundo. Deve ser o meu lado infantil berrando em meus ouvidos sempre.
Mas o problema é identificar o que realmente é relevante, o fundamental, o essecial. Se não conseguimos distinguir isso, que importância o importante terá? Nenhuma. Será igual a todas as outras conquistas baratas. Muitas vezes nem tão baratas assim.
A vontade nem sempre anda de mãos dadas com a moral, com a verdade (qual?) ou o bom caminho. Ao contrário. Muitas vezes é o amoral que nos atrai, que desperta nossas intenções mais íntimas, que nos atrái à armadilha de nós mesmos. Então, como prisioneiros que nos tornamos, escravos de nossa vontade, estamos fadados ao exílio.
Como julgar as ações que são movidas pela vontade, pela simples vontade de algo, não importando se estamos ferindo ou incomodando alguém? E de outro lado, como freiar essa vontade e negar os nossos instintos mais selvagens?
Quanto mais cedo terreno à vontade, mais susceptível estou aos caprichos que ela me aponta. Ou serão os meus próprios?
Em mim habita uma fera que eu tento domar todos os dias.

11 abril, 2010

A cosmopolita Barcelona


Desde novinha, bem antes de pensar em ser professora de espanhol, meu sonho era conhecer Madrid. Hoje já nem me lembro bem o motivo. Era desejo de adolescente, desses bem bobos, sem muita explicação, mas cheios de significados. O tempo passou e eis que conheci não Madrid, mas Bercelona.
Não vou esquecer nunca a minha primeira impressão ao chegar àquele aeroporto imenso, cheio de pessoas de todas as partes do mundo, falando vários idiomas, com seus infinitos gestos. O aeroporto é tão grande que as pessoas se locomovem em esteiras, num imenso vai e vem.
E se eu achava que iria comer paella todos os dias, me enganei completamente. Assim como em achar que todos dançam flamenco! Como nos prendermos ao um esteriótipo de cultura! Impressionante! Eu sou brasileira e nem por isso sem sambar (não muito bem!), assim como o meu período em Buenos Aires me ensinou que nem todo argentino dança tango. E por aí vai!
Quando saí do aeroporto era noite e fazia um frio que já nem me lembrava que existia. Fui prestando atenção em tudo, nos edifícios enormes, nas cores, nos letreiros que afirmavam as grandes marcas mundiais. Uma infinidade de informações para tão curta estrada.
Meus dias em Barcelona foram regados por cultura! É impressionande a infinidade de história que aquela cidade abriga. Em suas ruas do centro, o bairro gótico tão movimentado, rodeado pelo que sobrou das muralhas romanas.
Cada dia era uma nova descoberta, de personagens, de curiosidades, de movimentos. Mas nada me tocou tanto como a Sagrada Família. De tudo o que eu vi, visitei, toquei, A Sagrada Família foi o auge. Uma construção surreal em eterna construção de um gênio da arquitetura: Gaudí.
Os 25 dias que passei nessa cidade não foram suficientes para descobrir os seus segredos. Completei as guias, os passeios turísticos, as rotas do Bus Turistic, mas ficou incompleto. Assim como o que aqui escrevo, porque é impossível esgotar a magnitude daquela cidade, de seus parques, praças, restaurantes, monumentos...
Foi uma viagem turística, um primeiro contato. Meu desafio agora é amar essa cidade.

Las elecciones


Fico realmente intrigada com o poder do amanhecer. O outro dia sempre traz consigo algo mágico: o recomeçar. Meus dias têm sido uma mescla de descobertas, angústias e escolhas. Essas últimas têm me tirado o sono.
Ao optar por algo, incluir em minha vida determinado caminho, autamaticamente excluo outras possibilidades que nunca saberei se são melhores ou piores. Acertar ou errar então vira uma questão de ponto de vista. Essas são as escolhas.
As angústias vêm acompanhadas um medo sorrateiro da injustiça, do “podar” determinada parte de mim em função de algo maior. Isso me lembra a história de Prometeu, o Titã, que em nome de algo maior, se submeteu ao castigo de Zeus.
Tudo bem, nada comparado a deixar que comam o meu fígado durante 30 anos, mas meus sacrifícios diários estão aí, aliás, os de todos nós.
E finalmente as descobertas... essas estão bem próximas. Em alguns meses minha vida mudará de acordo com minhas escolhas. Se para melhor ou pior, não sei, mas eu preciso enfrentar isso.
As escolhas estão diante de mim num ponto da estrada em que a vida grita por mudanças.

01 outubro, 2009

A Arte que imita a vida

Faz tanto tempo que não escrevo... O último texto foi sobre os Vigilantes, que eu já deixei de ir. Algumas coisas mudaram em meu jeito de ser. Eu costumava ser mais persistente com as coisas. Mas cheguei a um momento em que logo me canso, logo perde a graça, logo já não é importante. Seja um livro, seja um projeto, seja um sonho...
Eu não estou gostando de ser assim, mas também não estou preocupada em mudar. Para falar a verdade poucas coisas têm me preocupado ultimamente. Se por um lado estou menos aplicada, digamos assim, com algumas coisas, por outro estou menos ansiosa com relação ao futuro.
Sempre fui muito de sofrer antecipadamente. O tal “peru de véspera”. Não sei em que ponto exatamente foi a metamorfose, mas isso já foi descamado.
Hoje um amigo me disse uma frase que me fez pensar... “tanta lida para tão pouca vida”. E não é verdade? E para completar meu dia vi um filme que me deixou completamente suspensa.
Bom, estou em um dia estranho. Meio chorosa, meio saudosista. E eu aqui me perguntando o que tenho feito...

07 julho, 2009

La buena mesa


Estou numa nova fase de minha vida. Tentando mudar velhos hábitos. Hábitos esses que em sua maioria não me ajudavam em nada.
Entrei para o programa Vigilantes do Peso, não só como uma forma de controlar o peso, mas de tomar consciência do que como, me reeducar, coisa que eu realmente necessito. Uma pessoa que troca uma refeição por um pedaço de torta, come em pé e simplesmente engole a comida e acha isso natural, não pode ser normal!

Bom, já a ser normal é uma outra história! Nada nem ninguém deve ser tão normal nessa vida, não faz bem à saúde!

Voltei a caminhar, coisa que não faço desde minha adolescência. Quando entrei na Universidade meu tempo foi completamente ocupado, trabalhava o dia todo e estudava à noite. Nos finais de semana me rendia ao cansaço e televisão. Depois veio a pós e depois sempre tinha um depois. Enfim, engordei alguns quilinhos e meu condicionamento físico de atleta se foi com os doces tão queridos e constantemente ingeridos.

Já estou em minha segunda semana e estou realmente espantada com os resultados! Como comer bem e de maneira saudável é muito mais fácil e o melhor: mais barato!

Acho que o primeiro passo é perceber que algo não está bem. E eu percebi isso graças à minha mãe. O que não estava bem? Minha alimentação completamente louca, pobre em nutrientes e rica em gordura saturada! Estou quase uma nutricionista! ...rs!

Essa pequena mudança tem surtido um efeito impressonante em meu comportamento! E olha que só estou começando a segunda semana! As caminhadas são realmente relaxantes! Meu sono melhorou, meu humor melhorou, meus pensamentos melhoraram!!! Isso aqui está parecendo um texto de auto-ajuda! HUAhauhUahu... Mas minha intenção é deixar registrado para mim mesma o quanto estou me sentindo bem!

Bom, acho que é isso! Uma salada coloridíssima me espera! ...rs!

Thanks Mumy!