01 outubro, 2009

A Arte que imita a vida

Faz tanto tempo que não escrevo... O último texto foi sobre os Vigilantes, que eu já deixei de ir. Algumas coisas mudaram em meu jeito de ser. Eu costumava ser mais persistente com as coisas. Mas cheguei a um momento em que logo me canso, logo perde a graça, logo já não é importante. Seja um livro, seja um projeto, seja um sonho...
Eu não estou gostando de ser assim, mas também não estou preocupada em mudar. Para falar a verdade poucas coisas têm me preocupado ultimamente. Se por um lado estou menos aplicada, digamos assim, com algumas coisas, por outro estou menos ansiosa com relação ao futuro.
Sempre fui muito de sofrer antecipadamente. O tal “peru de véspera”. Não sei em que ponto exatamente foi a metamorfose, mas isso já foi descamado.
Hoje um amigo me disse uma frase que me fez pensar... “tanta lida para tão pouca vida”. E não é verdade? E para completar meu dia vi um filme que me deixou completamente suspensa.
Bom, estou em um dia estranho. Meio chorosa, meio saudosista. E eu aqui me perguntando o que tenho feito...

07 julho, 2009

La buena mesa


Estou numa nova fase de minha vida. Tentando mudar velhos hábitos. Hábitos esses que em sua maioria não me ajudavam em nada.
Entrei para o programa Vigilantes do Peso, não só como uma forma de controlar o peso, mas de tomar consciência do que como, me reeducar, coisa que eu realmente necessito. Uma pessoa que troca uma refeição por um pedaço de torta, come em pé e simplesmente engole a comida e acha isso natural, não pode ser normal!

Bom, já a ser normal é uma outra história! Nada nem ninguém deve ser tão normal nessa vida, não faz bem à saúde!

Voltei a caminhar, coisa que não faço desde minha adolescência. Quando entrei na Universidade meu tempo foi completamente ocupado, trabalhava o dia todo e estudava à noite. Nos finais de semana me rendia ao cansaço e televisão. Depois veio a pós e depois sempre tinha um depois. Enfim, engordei alguns quilinhos e meu condicionamento físico de atleta se foi com os doces tão queridos e constantemente ingeridos.

Já estou em minha segunda semana e estou realmente espantada com os resultados! Como comer bem e de maneira saudável é muito mais fácil e o melhor: mais barato!

Acho que o primeiro passo é perceber que algo não está bem. E eu percebi isso graças à minha mãe. O que não estava bem? Minha alimentação completamente louca, pobre em nutrientes e rica em gordura saturada! Estou quase uma nutricionista! ...rs!

Essa pequena mudança tem surtido um efeito impressonante em meu comportamento! E olha que só estou começando a segunda semana! As caminhadas são realmente relaxantes! Meu sono melhorou, meu humor melhorou, meus pensamentos melhoraram!!! Isso aqui está parecendo um texto de auto-ajuda! HUAhauhUahu... Mas minha intenção é deixar registrado para mim mesma o quanto estou me sentindo bem!

Bom, acho que é isso! Uma salada coloridíssima me espera! ...rs!

Thanks Mumy!

26 junho, 2009

Soledad...


...é palavra que quase não sai de meu coração, de meus dedos que teclam, de meus olhos quase sempre lacrimosos. Tenho uma tendencia séria ao saudosismo exacerbado. Por onde passo as lembranças saltam como pipocas na quentura de um coração meio exagerado.

Um dia houve uma biblioteca. Uma bem simples, mas não por isso menos preciosa em saberes e deleites literários. Costumava passar as tardes perdida dentro das estantes de ferro, decobrindo e me reinventando. Essa foi a época última da escola. Às vezes nem almoçava.

Gosto dessas lembranças, do cheiro dos livros, das dicas que quase sempre não se restringia à responsável pelo setor. Estava sempre eu lá metida e enxerida palpitando.

Foi assim que tomei gosto pela coisa. Certa feita um livro foi arremessado pela janela. Eu, tomada pelo desespero, primeiro por não ter o dinheiro para pagar o livro, segundo por não entender tamanha ultraje, pedi que o zelador fizesse o regate. Um meu, outro de minha irmã. O meu não me lembro bem, mas o dela era um volume da série “Corredor da Morte” de Stephen king, comprado posteriormente em uma Bienal. Guardo-o como relíquia.
Depois de várias tentativas, finalmente os tesouros devolvidos. Por muito tempo uma barra de sabão azul ficou no telhado do resgate, sendo vagarosamente dissolvida pelas chuvas. Lá estava ela, sendo levada a cada dia, mas resistindo bravamente, como uma espada que conquista batalhas.

Felizmente as lembranças não se dissolveram junto.

El rato largo


Coisa difícil é entender gente. Espero que o mundo aja como eu penso ser o correto, quando na verdade, o correto nem sempre é o tal.
Ando meio de saco cheio, por assim dizer. Uma fase estranha. Uns arrependimentos bobos, uma vontade de escrever que não se condretiza, dias passando com impressionante correnteza. Eu mais nova, mesmo mais velha. Continuo por que mesmo? Ou melhor, pelo quê?

Nesse exato momento de minha vida queria estar em milhões de lugares ao mesmo tempo. Em Barcelona, em Buenos Aires.. até no Iraque, se duviar. Acho que todos menos o que realmente estou. Estranho isso. Será que a ONU me salva de mim?
Eu acho que preciso do que não preciso. Eu quero estar onde nunca estou. Eu quero escrever coisas indescritíveis. Quero viver o que nem sei se existe.


Eu sou impossível? Inconcretizável?

26 maio, 2009

El gato sin botas


Por que perder tanto tempo com “porquês”, “comos” ou “quandos” se tudo é inesperado mesmo? Não há receitas para escolhas certas. Escreven-se livros, mil e um artigos sobre o tema “Ser Humano”, tratando-o como simples substantivo, quando na verdade trata-se de um verbo.
Ser humano é simplesmente deixar-se ser humano. E o que é ser humano? Bom, isso eu aprendo a cada dia, a cada amanhencer, não com os erros dos outros, mas com os meus. Isso é burrice? Para alguns sim. Minha mãe costuma dizer que sabedoria é aprender com os erros dos outros. Bom para ela, porque para mim definitivamente não funciona.
Sempre me dizem que sou cheia de invenções. E sou mesmo. E dessas invenções, que na verdade se convertem em experiências, vou vivendo demasiadamente humana. Pode ser uma simples paixão por pintura, em que descubro em mim um talento nato e levo meu padrasto a comprar tintas e telas para quase toda a escola de Belas Artes.
São inúmeras mesmo. E admito isso sem nenhuma vergonha. Posso dizer que vivi cada uma delas, que experimentei cada invenção sedentamente.
A última? Um gato.
Um lindo gatinho que me rendeu uma dermatite. Resultado: da-se o gatinho, compra-se remédios, desinfeta-se a casa.
E nem me pergunto se haverá outra invenção, pois isso é óbvio, mas quando?
Isso, na minha humilde e louca compreensão de quem não entende absolutamente nada, talvez seja viver.

11 maio, 2009

Escritas palabras


Há nela uma dor calada, um suspiro doído que leva ao mundo uma angústia antiga.

Pergunto-me como ela consegue seguir com tanto peso nos cestos, como pode caminhar com pés tão trôpegos, carregar tamanha ausência de ser.

Ela sorri forçada, abraça o outro com feicidade dissimulada, olha nos olhos deles à procura de respostas que nunca virão.

Carrega em si um fardo. Existir.

Suas narinas já não respiram há muito um ar livre de lembranças, ao contrário, a cada inspirar uma nova recordação perdida, a cada expirar, uma canção morrida.

E segue assim, nas ausências, nas reentrâncias de si mesma, ruminando o que já não lhe resta.

10 maio, 2009

La carne es débil


Parte 1


Parte 2

La serpiente sin paraíso


Dizem-me que sou egoísta. Falam-me de minhas incertezas, de minha vocação para vítima, de meu destempero habitual.

Meu defeitos são multiplicados a cada dia numa porcentagem escandalosa e de maneira não menos escabrosa, meus pensamentos bons são arrancados.

Realçam-me sempre o apego ao passado, como se nada tivesse movimento. E eu, neste mísero pavimento, pergunto-me quanto de mim há ou não há. Como cabe tanto em mim mesma?

Eu sou ou não? O que é verdade e o que é a verdade?

Criatura vil que se rasteja, cobra peçonhenta que almeja o próximo bote em cada esquina.

Em mim reside a contaminação do mundo (?)

05 maio, 2009

Días de lluvia


O que eu mais detesto em Salvador? Essa chuva desmedida que atormenta o outono/inverno dessa cidade.
Nessa época do ano, as autoridades fingem surpresa com o estado de calamidade, declaram estado de emergência, adotam pequenas medidas, na verdade pequenos reparos, que logo viram mais notícia nos noticiários que as próprias notícias.
E eu fico a me perguntar: não era mais fácil no verão? Mas não! Verão é tempo de festejar, de destinar atenção às carnavalescas festas. É tempo de pão e circo.
Uma eleição aqui, uma cassação ali, uma CPI acolá. Sempre tudo no mesmo ritmo. Mudam-se os protagonistas somente. Ou muitas vezes não.

O que me incomoda mesmo é ir dormir em minha cama quentinha, com aquele barulho gostoso de chuva lá fora e a cabeça deslizando para os deslizamentos. Meu travesseiro então tranforma-se em uma encosta a mais, onde se me vai o sono ribanceira abaixo.

04 maio, 2009

Algunos "paras"


Para um sorriso amargo, um olhar adocicado.
Para a falta de coragem, uma carreira em decolagem.
Para um céu cinza sem anil, um cobertor para o possível frio.
Àquele que olha de soslaio, um caminho de atalhos.
Se for para a estrada, cuide dos pés na longa caminhada.
E se for sem medo, não se procupe com os tropeços.

Um fio de cabelo caído, um calo, uma unha quebrada...
Tudo isso faz parte da jornada.

25 fevereiro, 2009

De vuelta


Há quanto tempo, verdade? Sim. Perdi o jeito. Fugiu-me a receita. Escapou-me a fôrma. Não tenha pressa, a vida pede esses intervalos, às vezes quase eternos, mas nem sempre para sempre. Senti sua falta, senti falta de sua doçura, de suas imagens criadas em versos, desse universo que se levanda com uma simples ciranda de palavras. Eu também senti. Mas um sentir estranho, sem saudade, sem paixão... Foi uma falta rara, de tamanho desmedido. Um buraco. Mas há sempre o que se dizer, por mais interminável que seja o silêncio, por mais lacunas que precisem de ventos, elas, as palavras, sempre estarão presentes. Não deixe isso morrer. Não deixe que seus sentimentos se congelem, ou te façam acreditar que é mais cômodo não incomoda-los descrevendo-os. Há coisas que são indescritíveis. Sim, são.