10 fevereiro, 2013

Domingo



Passei grande parte de minha vida detestando os domingos. Sempre os associava a dias tristes, a um fim de algo que não queria que terminasse, a solitários e nostálgicos momentos.
Os meus domingos se transformaram, saíram do casulo e voaram em direção a horizontes de outras cores.
Descobri pequenos prazeres como dividir uma cerveja com meu marido enquanto cozinho alguma comida sem receita, nem ingredientes difíceis de se encontrar; é nesse dia também que eu me dedico à cuidar de meu jardim, tirando as folhas secas, regando e mimando minhas flores. Domingo é dia de ver filme com os pés entrelaçados aos dele e comer pipoca, de tomar sorvete e passear no parque de mãos dadas, conversando trivialidades, observando o cair da tarde sem pressa, vendo as pessoas se exercitarem em sus patins e bicicletas. E eis que o meu Domingo se transforou em um poema.
O tempo amadureceu aqui dentro e lá fora.

Uma paixão



Oh, como eu amo livros! E amo mais ainda estar rodeada por eles, perdida em suas páginas, solta nesse universo que parece ser tão mais real do que o que se diz real.
Meu sonho? Ter minha própria sala de leitura, decorada com poltronas confortáveis ao estilo romântico, com grandes estantes (do chão até o teto) repletas, abarrotadas de livros. Mas primeiro eu preciso reunir todos os meus livros em um só país. Atualmente eles se encontram espalhados em 4 países diferentes. Eu eu realmente desejo concentrá-los em um só, o definitivo.

Quando?

Acho que essa pode ser a pergunta mais angustiante na vida de uma pessoa. E ela não tem saído muito de minha cabeça ultimamente. Esse "quando", diretamente relacionado com o tempo, está também ligado aos desejos, e para ser bem sincera, eu tenho uns quantos, cheios de "quandos".
Para começar, eu poderia me mudar para o país dos meus sonhos. Poderia também colocar em prática tudo o que tenho aprendido na universidade e sigo aprendendo a cada dia. Quando eu vi Sayonara pela primeira vez, no meu primeiro semestre da faculdade, há uns 11 anos atrás, eu tive a certeza que eu queria ser professora universitária. Anos depois eu continuo desejando a mesma coisa, e, na verdade, nunca estive tão perto de conseguir.
Há alguns dias eu recebi o resultado de uma seleção que participei para professor de literatura de uma Universidade. Eu tinha tanta certeza que a vaga seria minha... Mas não foi. O meu mundo desabou e demorou um pouco para eu recuperar os meus sentidos novamente. Eu briguei com Deus, disse uns bons desaforos a Ele, gritei, esperniei... Mas não teve muito jeito, já estava resolvido o caso. Passados os dias e refeita um pouco da desilusão, meu coração vai aos poucos recuperando a confiança, e o mais importante, a esperança. As pazes com Deus eu já fiz. Afinal de contas, Ele deve ter uma boa razão para isso, mas que com certeza eu só entenderei com o tempo.
Então eu fico aqui pensando e esperando e me perguntando... Quando?

08 fevereiro, 2013

Amour



Acabei de assistir Amour, filme dirigido por Michael Haneke, que conta a história de um casal de idosos em um momento muito delicado de suas vidas.

Anne, a esposa de Georges, precisou ser submetida a uma cirurgia que não foi bem sucedida, resultando em uma paralisia parcial de seu corpo. Georges, um esposo dedicado é quem cuida de Anne, pois a filha do casal mora no exterior.

O filme é bem minucioso quanto ao cotidiano do casal e da difícil situação de Anne. 

Fiquei muito impressionada com o amor e a cumplicidade entre o casal, e, especialmente, chocada com a dedicação de Georges, que chega ao ponto de matar a Anne para evitar que ela seguisse sofrendo.

¿Podemos irnos ya?



Por ironias do destino percebo que volto a escrever no blog desde um lugar em que não queria estar, tal como o post anterior... Até quando essa brincadeira, heim Senhor?
Deus tem uma estranha forma de realizar a  sua Obra. Especialmente em minha vida, diga-se de passagem. Digo na minha vida, porque é minha e eu sou a maior interessada e, supostamente, a maior conhecedora, longe de ser da dos outros. Então posso dizer que não entendo muito o Cara lá de cima e essas trilhas que ele me faz tomar. Então nesses momentos de crise eu me pergunto se o que creio realmente existe ou se não passa de minha pobre imaginação humana que precisa se apegar a algo. São momentos de brigas lá com Ele e comigo mesma. Justo agorinha que estava tudo indo tão bem, quer dizer, quase bem, que nada é perfeito. E como não foi o único pega-pa-capá até agora, pela experiência sei que já já a gente faz as pazes. Definitivamente não gosto de onde estou, mas sim de com quem eu estou. E muitas vezes isso faz a total e inquestionável diferença. Então eu vou aguentando e remoendo alguns sonhos, ou melhor, mantendo-os a salvo de mim mesma. Sei que Ele lá de cima me ama e me cuida, ainda que eu não O entenda, ou que insista em pôr a minha vontade diante da Dele.

27 agosto, 2011

Atualização desatualizada


Nesse exato momento estou onde não queria estar. Há alguns dias eu li uma frase que dizia “Onde você está agora não é onde você terminará”, menos mal. Sinto algum conforto nessa declaração.
Aqui, no Panamá, onde há mais táxis que gente, minha vida tem sido uma longa espera. Espera por deixar esse país que tanto desagrada o meu gosto, espera por um emprego, em realidade, dois. Espera por uma resposta divina que me faça entender o que é que estou fazendo aqui.
Depois de um ano e meio em Barcelona, após o término do meu tão desejado mestrado, a vida me trouxe a esse país tão mal localizado no meu mapa geográfico mental. É, eu não sabia se estava antes ou depois da Costa Rica, entre a Guatemala ou Honduras... Enfim, bem pouco interesse dediquei algum dia em buscar onde raios estava esse país.
E como a vida sempre nos surpreende, aqui estou nesse lugar mais verde que a bandeira do Brasil. Aqui chove todos os dias e não existem livrarias em condição para uma boa pesquisa, e logo agora que eu entrei no doutorado, o desespero assoma-se às portas de meu coração a cada manhã, já que não sou nenhum gênio da ciência e preciso consultar livros e mais livros se quiser escrever algo em condições aceitáveis.
Mas às vezes eu acho até bom, porque assim eu posso ver como eu gostava de Barcelona e não sabia... Como eu resisti ao catalão e não devia... É, eu realmente amo Barcelona, e que bom que eu descobri isso a tempo, a tempo pelo menos de dizer a mim mesma.
As coisas aqui estão bem difíceis. Ele veio pensando que seria uma coisa e foi outra. Eu querendo Espanha e ele querendo Brasil. Uma proposta no Peru, uma vaga numa universidade do Canadá que eu não posso me candidatar porque não tenho terminado o doutorado. E o inglês, que ainda não sabemos, sempre pelo meio a atrapalhar. É... não sabemos tantas coisas, mas a pior delas é não sabermos aonde ir...
Às vezes eu choro no banheiro para que ele não me veja e não se sinta mal com a minha fraqueza. Às vezes eu choro quase sempre e sem querer. As lágrimas simplesmente aparecem sem convite e inundam minha alma. 

01 maio, 2011

Sandra Cisneros


Dia desses eu descobri a escritora Sandra Cisneros no mestrado, uma autora chicana, que hoje reside no Texas, EUA. Filha de pai mexicano y mãe mexicoamericana, Sandra tem uma escritura densamente doce e se cabe, leve, e isso, para mim, só é conseguido porque geralmente quem conta a história é uma menina. Por detrás das palavras narradas, está viva a complexidade de uma identidade de fronteira, em constante luta para preservar-se, para manter-se de pé, mas o interessante é perceber a simplicidade com que esses temas são trazidos ao leitor. Geralmente os contos ou as novelas (pelo menos nos 3 livros que li) são narrados em sua maioria por uma menina nascida nos EUA, filha de pais mexicanos, e que conta a rotina de sua familia, de seus vizinhos, de suas descobertas, dos abusos contra a mulher, assim como a questão do spanglish, de maneira simples e cheia de poesia. Algo nela me fez lembrar de Mia Couto.
Realmente estou encantada com a autora e a recomendo!
O idioma de suas obras é o inglês, e os que li são traduções ao espanhol, mas já existem traduções em outros idiomas.
Recomendo os seguintes livros:

The House on Mango Street (Una casa en Mango Street)
Woman Hollering Creek and Other Stories (El arroyo de la lloronay otros cuentos)
Caramelo

A pintura é de Raquel Valle-Sentíes

30 abril, 2011

Recheio


Não, eu não sou magrinha, nem tenho o cabelo liso, solto ao vento e uma pele de pêssego colhido no momento x. Não tenho olhos azuis ou verdes piscina, ou verdes castanho ou castanhos esverdeado contra o Sol. Não sou mulher que chama atenção em decotes ou em roupas curtas, porque não gosto do formato de minhas pernas. E a propósito, eu tenho 12 graus de miopia.
Eu sou sim uma gordinha que luta diariamente contra a balança, de cabelos cacheados, com os quais eu travo guerra diariamente tentando que fiquem no lugar, e olhos castanhos, dos mais simples, sem nenhum assomo de outra cor. Não creio que seja das mais belas, nem das mais feias, segundo o conceito atual de beleza, se isso importa realmente. Sou assim, normal, casual, básica, só com os acessórios de fábrica mesmo.
Quando vou à praia é uma novela mexicana para esconder as dobrinas, as estrias, as celulites debaixo de tão pouca roupa! Impossível! Na praia onde tudo está exteriorizado, eu interiorizo meus complexos e fico como água em óleo.
Minha comodidade está numa caça jeans usada, numas sandálias bem baixinhas, porque eu não sei andar com salto alto, e numa bolsa grande, em que eu possa carregar água, batom, um pouco de dinheiro, e um bom libro, para as horas mortas. Essa sou eu. Que eu?
Não, eu não sou um modelo de beleza nem de nada. Mas tenho um monte de coisas aqui dentro de mim que eu posso te mostrar. Outro dia eu descobri um jardim secreto aqui e me deram a chave. Se você quiser entrar, eu te mostro como tudo pode ser mais simples, como nos apegamos a tantas futilidades, como se é tão mais feliz sem as formas e suas prisões, e somente guardando o conteúdo, o caroço.
Já reparou nas histórias alheias, que se vão entrelaçando na vida e que terminam por formar a voz do mundo? Você quer escutá-la comigo? Feche os olhos.

29 abril, 2011


Vou dizer pra você que hoje eu quero um denguinho. Um beijo para acalmar essas milhões de letras aqui sambando em meu coração. Chega aqui pertinho que eu vou te contar um segredo, o nosso segredo: há tanta vida em nós!
De vez em quando a gente vai parando para afinar nosso instrumento.

28 abril, 2011



O meu coração anda assim, miudinho, pequenininho e massacrado.
Tem um pé aqui apertando meu peito. Eu digo para ele parar, mas ele segue, apertando cada vez mais.
Se o meu coração fosse inteligente, não sofreria assim. Mas ele não foi à escola, nem tomou lições particulares. Tadinho. Ele é tão burrinho! Ele acredita em tudo o que lhe contam. Vai das mentiras rotineiras até às super produzidas. Ele é assim, um cão fiel, desses bem bobões, com a língua de fora.
Agora ele tá todo assim murchinho, escondido, depois que levou uma paulada. Daqui a pouco ele levanta e se enche de alegria de novo, como os balões coloridos de gás dos parques, e fica bem lá no alto, voando, que é o que ele mais gosta de fazer.

03 abril, 2011

Pouco a pouco vem chegando a primavera com seus dedinhos entres as frestas do inverno que já foi, mas que deixou o seu rastro. Pela janela do agora, eu vejo trens que vão e vem passando, em um movimento da vida, natural, ruidoso, às vezes parando, às vezes não.

Pouco tempo para mim mesma, muito tempo para as leituras desse universo literário tão novo, tão apaixonante, mas ao mesmo tempo difícil de associações com o meu mundo. Uma vez me perguntaram quando eu pararia de me meter em “confusões de estudos”, que a vida deve ser mais tranquila e mais simples. Para que complicar tudo com essas “coisas do conhecimento”?

E eu vejo que se não for assim, com essa busca, com esse desejo de conhecer mais, de obter formações em outros mundos, não sou feliz, não consigo encontrar a paz, nem no mundo, nem em mim.

E que venham os dias de sol, e que venham as flores que tanto preenchem minha vida com seus aromas e cores. Eu quero andar com minhas havaianas® coloridas, na leveza dos dias claros, porque somos tão mais felizes assim...

***

Algo estranho está acontecendo com minhas palavras. Elas se misturam sem ordem, sem autorização. E eu fico numa insegurança de criança, estudando-as, dissecando-as...

10 fevereiro, 2011

Eu não posso ser o que não sou

Não choro quando deveria chorar, nem rio com trancas. Deveria comover-me mais perante o mundo, mas eu passo alto, vôo pra longe do que me deixa triste, do que me incomoda, porque dentro de mim já há tanto!

Doi-me ver animais abandonados e idosos que caminham só. Não me dói outras coisas das quais as pessoas se escandalizam. Sou insensível à muitos, pois poucos me comovem. E a esses poucos eu dou o meu coração, o meu corpo e a minha alma.

Não é por dinheiro, não é por conhecimento, nem poder. É simplesmente por amor. E esse brota sem querer, sem ser mandado.

Julgam-me ruim e egoísta. Mas por quê? Por que eu não sinto o mesmo que eles? Por que eu deveria me atirar aos pés das pessoas e ser uma segunda Madre Teresa?

Sorry, mas isso não acontece. Eu sou o que sou e nem por isso amo menos nem sou pior. Mas termino sendo uma outra a tantos olhos. Mas isso pouco me importa.

13 janeiro, 2011

Daquilo que não se foge

Pediu-me que eu voltasse, que eu me entregasse, que eu me revelasse mais uma vez. A vida tem dessas pequenas surpresas escondidas no fundo da gaveta. Então eu não respondi ao seu pedido, mas em uma noite de sonhos, lá estava o mar me olhando bem nos olhos.

12 janeiro, 2011

Daquilo que não é eterno

E porque tudo um dia cansa a gente volta a sonhar de novo, a amar de novo, a querer de novo... Até a gente se cansar mais uma vez.

14 setembro, 2010

Na verdade 2 meses e exatos 5 dias


Faz muito, muito tempo que não escrevo aqui ou em qualquer outro lugar, mas eu sempre volto, como aquele que sempre volta à casa. Sempre.

Não sei bem descrever como está sendo esse período de minha vida, pois sinto-o um pouco suspenso, pendente de algo, uma sensação de porvenir, que por vezes me deixa nervosa. Estou numa cadeira de cinema como expectadora de minha própria vida.

Já começo a confundir o português com o espanhol, a pensar em espanhol, e isso porque ainda não comecei com o catalão. Às vezes acho que minha cabeça dará um nó e os neurônios entrarão em curto-linguístico. Mas eu tenho me esforçado.

Depois do longo mês de agosto, em que tudo permanecia fechado e as pessoas só pensavam em ir à praia (é, aqui essa época do ano me lembrou bastante Salvador, e por alguns momentos me esquecia de que estava a quilômetros de um bom acarajé), as engrenagens de setebro já movimentam os dias, e assim também os meus, por fim!

Há muitas semelhanças com Buenos Aires, mas BCN é muito maior do que qualquer outra cidade em que estive (tudo bem, eu não conheci São Paulo), e às vezes, quando estou caminhando ou tomando o metrô, tenho a impressão de que serei engolida a qualquer momento.

O metrô. Esse espaço curioso em que milhões de pessoas dirigem-se à zilhões de lugares ao mesmo tempo. Para mim é uma janela indiscreta dessa cidade que tenho aprendido a viver. Gosto das oportunidades que tenho de ver como se comportam as pessoas, e as olho de maneira curiosa, buscando pistas nas roupas, no cabelo, no que estão lendo. Acho que descubro mais BCN no metrô do que em qualquer outro lugar.

Ontem quando estava indo ao trabalho, como sempre faço, levei um livro para ler durante a curta viagem (eu sempre carrego um comigo, nunca se sabe o quanto se vai esperar nessa vida, assim que é bom estar previnido), fui arrancada de minha forte concentração pela conversa de dois estrangreiros (não sei exatamente de onde eram, mas pareciam o que os espanhóis chamam de moros, pessoas oriundas do Marrocos). Eu não entendia absolutamente nada do que diziam, mas eles falavam tão alto que eu não tive muita escolha. Fiquei imaginando o que estava falando um para o outro. E me lembrei do dia em que me sentei em frente a duas chinesas, e foi a mesma situação.

Eu realmente fico espantada com a quantidade de imigrantes que Barcelona comporta. Não sei se isso é bom ou ruim, mas sei que os espanhóis não gostam. Não gostam mesmo. Ontem uma brasileira que conheci na incrição do curso de catalão (esse idioma é outro parênteses) me disse uma coisa que eu sempre me lembrarei: “você pode viver aqui o tempo que for, décadas, talvez, mas será sempre uma imigrande e será tratada como tal”. Então, eu pensei na maneira em como o Brasil recebe os estrangeiros e meus olhos encheram-se de lágrimas. Lágrimas de saudade.

E a cada dia que passa, vou descobrindo mais dessa babilônia que é BCN e domando a saudade, que insiste em querer sair pela boca a cada segundo.


11 junho, 2010

O que será de mim?

Esvaziar-se e enxer-se. Eis o sopro da vida.

Às vezes esqueço–me de algumas preocupações que foram varridas para debaixo do tapete. Deixo-as ali, nutrindo-se de um esquecimento cômodo e covarde. Então, num belo dia de hoje, elas voltam a assombrar, como quem desperta de uma morte mal resolvida, exigindo providências no primeiro respiro.
Eu queria ter um livro de soluções, como quem tem uma arma secreta: um livro de receitas para um jantar inesperado.
Talvez. Porque mesmo com a receita, o bolo sola. Mas seria só uma seta amarela flamante, piscando os olhos para mim, paquerando o meu destino.
Então hoje, de debaixo do tapete uma escapuliu, aprisionando-me outra vez nas algemas de meus medos.

Eu já não posso voltar.

Nesse presente, meus pulmões estão comprimidos e o ar me vem em gotas.

03 junho, 2010

Por você



Por tantas vezes eu esqueci que aquele jeito de gritar e esbravejar, nada mais era que preocupação líquida e concentrada. Cada vez que a tinha destemperada e colérica, esquecia-me de lembrar-me que aquilo não era bem aquilo, mas um isso de medo, talvez.
Tantas e tantas vezes fui injustiçada, mas quantas vezes também não fui injusta? Como hoje.
Eu deveria amarrar um cordãozinho vermelho no dedo para jamais voltar a esquecer de que você é a pessoa que mais me ama nesse mundo.
Não há como descrever que sentimento nos compõe, mas eu a amo de uma maneira tão visceral e não suporto a idéia de ferí-la, pois as cicatrizes também ficam em mim.
Hoje eu gritei desajeitada.

Eu sei que vou te amar


Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

(Vinícius de Moraes e Tom Jobim)

29 maio, 2010

Colheita


Quando ele diz que as coisas vão ficar bem, eu sempre acredito, pois há nele algo de tão transparente que é impossível haver outro caminho. Ele guarda consigo um amor verdadeiro e todos os dias sai a regar o meu jardim.
Com essa água derramada, brotam a esperança de dias melhores, a calma para os pensamentos intranquilos, assim como a fé renovada na vida. Não que tudo dependa dele, mas Dele, eu bem sei disso.
Não será fácil, talvez, mas a vida nunca me veio escorrendo. Sempre me veio em pedras. Então, para quê o medo? Ele só turva a vista, mina os bons sentimentos, seca a água regada.
Já chegamos tão longe, ultrapassamos tantos campos, corremos “juntos”, choramos “juntos”, sorrimos “juntos”. Mas esse “junto”, nunca foi mesmo junto. Agora sim, tiraremos as aspas.

13 maio, 2010

Engrenagem


Hoje eu fui testada, levada ao meu limite. Não foi exatamente uma resistência física, mas digamos que um casamento: fisiopsíquico. Poderia ter sido um dia normal, mas não! Mais uma vez tive que comparecer com os benditos papéis ao consulado espanhol. Das outras vezes (muitas outras vezes), mesmo saíndo com raiva, revoltada, sentida, logo aquele momento se esfumava e eu voltava a um estado mais tranquilo. Mas hoje... Hoje foi diferente. Eu cheguei às 09h para entregar os últimos documentos e pegar uma mísera assinatura e um carimbo. Mal sabia o que estava por vir. Expliquei a situação. A atendente disse que geralmente entregavam os documentos em dois dias úteis, mas se eu quisesse esperar, ela me daria assim que fosse possível.

Como eu realmente tinha pressa e precisava daqueles documentos hoje, resolvi esperar. Os dias têm sido cruéis em seu passar, e por isso, não posso perder mais nenhum deles sem um resultado condreto.

09h... 10h... 11h... 12h... 13h... 14h... Nada mais que 5 horas sentada nequele lugar, vendo cada pessoa entrar e sair, muitas solucionando seu problemas e muitas não. Lá dentro, os funcionários tomavam café, água, falavam ao telefone, riam, conversavam.

Houve um momento em que achei que fosse desmaiar de fome, de sede, de vontade de ir ao banheiro. Mas eu não podia descepcioná-lo. Não a ele! Eu precisava daqueles documentos.

Coloquei minha cabeça entre minhas mãos e o inevitável aconteceu: um pranto torrencial. Saí para que não escutassem o meu soluço, a minha dor, a minha revolta, pois eu não conseguia conter as lágrimas, foi mais forte do que eu. Eu não sabia o que era mais humilhante, se esconder as lágrimas ou ter que sorrir para ter os papéis. É assim que funciona quando precisamos, não é? Esse é o exercício do poder. Sua cadeia. E eu estava nela.

Passei a chorar não mais pelo medo de perder o prazo, mas por perceber como o ser humano é mesquinho, como precisamos de tão pouco para ajudar alguém. Daquela assinatura dependiam tantas coisas! Não só a minha vida, mas a dele também! Eles não sabiam, e talvez se soubessem, nem se importassem, porque estamos tão centrados em nós mesmos que esquecemos de olhar para o lado e estender a mão.

Será que é assim também quando alguém depende de mim? – pensei. Será que eu dou o meu melhor? Eu sei que muitas vezes não... e é por isso que fica essa corrente no mundo e tudo é tão mais difícil do que deveria ser.

É realmente triste saber que tantas vidas são acorrentadas pela burocracia diária, pela falta de comprometimento, pelo humor oscilante de um funcionário. E isso é algo tão comum nas repartições!

Eu tentei controlar as lágrimas, mas foi impossível. Eu estava vomitando toda a minha revolta com aquele lugar, com aquela situação deplorável, mas mesmo assim, foi um pranto contido, consciente, porque apesar de tudo, era eu quem precisava e precisava ser forte.

Quando já não havia mais ninguém no consulado e ficou meio ridícula aquela situação, alguém me olhou.

Eu saí dali com os pepéis em minhas mãos. Até agora não sei como consegui, mas eu consegui.